Programação dos 30 anos do Centro Histórico como património mundial será idealizada por cidadãos portuenses

Programa MALHA visa celebrar o Porto “de carne e osso”, afirma Jorge Sobrado, vereador com o pelouro da Cultura e Património. As comemorações vão começar em 2026 e prolongar-se até 2027.

Nuno Cruz, presidente da Junta da União de Freguesias do Centro Histórico; Rodrigo Passos, vereador do Desporto, Juventude e Associativismo; Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto; e Jorge Sobrado, vereador da Cultura e Património (da esquerda para a direita). Foto: Maria Saraiva Brandão/JPN

“MALHA – Porto, Património de pessoas” é o nome dado ao programa comemorativo dos 30 anos da classificação do Centro Histórico do Porto como património mundial, pela UNESCO. Este programa será idealizado por cidadãos portuenses, a convite da Câmara Municipal. As comemorações vão concentrar-se principalmente nos seis meses que antecedem o dia 5 de dezembro de 2026, aniversário da classificação, e nos seis meses seguintes.

Jorge Sobrado, vereador com o pelouro da Cultura e Património, explicou que este programa não será escrito por ele, nem “pelos dirigentes ou funcionários da Câmara Municipal”, a quem caberá o papel de produção das atividades comemorativas.

Este é “um programa voltado para as pessoas” e “as escolhas vão ser feitas por cidadãos do Porto” que foram convidados para o idealizar, explicou Jorge Sobrado na apresentação do MALHA, na sede do Guindalense Futebol Clube, no passado dia 5.

O programa terá cinco eixos, que comemoram diferentes campos da história e identidade do Porto:

  • “Pensar a cidade”, dedicado à relação entre pensamento, representação e território, que será idealizado por Álvaro Domingues e Andreia Garcia;

  • “Contar a cidade”, em que Joel Cleto e Minês Castanheira vão fazer um trabalho de recolha, inventário e representação das histórias da cidade;

  • “Dançar a cidade”, em que o nome dos responsáveis ainda não foi anunciado;

  • “Riscar a cidade”, que irá trazer a arte para os espaços públicos, tanto em instalações temporárias, como semi-permanentes, idealizadas por Rita Roque e José Almeida;

  • e “Convocar a cidade”, em que Joana Menezes Fernandes ficará encarregue de idealizar atividades em que a comunidade é convidada a participar ativamente.

A programação definitiva, com as atividades de cada eixo, ainda não é pública.

A apresentação das bases do programa participativo “MALHA – Porto, Património de Pessoas”, aconteceu na sede do Guindalense Futebol Clube no passado dia 5. Foto: Maria Saraiva Brandão

Quanto ao nome do programa, Jorge Sobrado explica que a palavra “malha” foi escolhida pelo seu valor simbólico de “rede”, mas também porque quer dizer “conjunto de pessoas num território”. “Essa associação, essa ligação, é uma cidade. É isso que faz uma cidade. Ligações entre o passado e o futuro”, sublinha o vereador, voltando a fazer referência à vontade de que este seja um programa que “procura estimular, favorecer e promover um reencontro do Porto com o seu património de carne e osso”.

O vereador avançou ainda que a autarquia já começou a “estabelecer alguns contactos com instituições da cidade”, como a Igreja dos Clérigos, a Livraria Lello e o Palácio da Bolsa, para que possam ser incluídas nas comemorações.

O Centro Histórico do Porto foi classificado como Património Mundial pela UNESCO a 5 de dezembro de 1996, na cidade de Mérida, no México. O critério IV (cultural) foi o aplicado para justificar a classificação, por se considerar que “este bem possui notável valor universal pelo seu tecido urbano e pelos seus inúmeros edifícios históricos que testemunham o desenvolvimento ao longo do último milénio de uma cidade europeia virada para o ocidente pelas suas ligações comerciais e culturais”.

A área classificada tem cerca de 49 hectares e inclui a parte da cidade interior ao traçado da antiga Muralha Fernandina, e algumas áreas adjacentes. A vasta lista de monumentos e sítios que podem ser encontrados nesta área incluem a Praça da Ribeira, a Ponte Luís I, a Igreja e a Torre dos Clérigos, o Teatro Nacional São João ou ainda o Mosteiro da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia. 

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