Casa da Música quer unir o erudito e o popular em 2026
"Raízes e Ressonâncias" é o tema da primeira temporada assinada por François Bou. Um dos destaques da programação de 2026 é a estreia em Portugal da integral das "Bachianas Brasileiras", de Heitor Villa-Lobos. Em janeiro, no festival de arranque da temporada, destaque também para o regresso de Conan Osiris aos palcos, depois de seis anos de ausência.
Casa da Música apresentou as novidades da temporada 2026. Foto: Maria Saraiva Brandão
A integral das “Bachianas Brasileiras”, de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), vai estrear em Portugal, na Casa da Música, ao longo do próximo ano. A obra em que o compositor brasileiro se inspira em Bach e une os sons europeus aos ritmos populares brasileiros é um dos grandes destaques da programação de 2026, apresentada a 25 de novembro.
A estreia vai acontecer durante o “Ressonâncias de Villa-Lobos”, o ciclo central da programação do próximo ano, em que a obra do compositor será interpretada em diversos momentos pela Orquestra Sinfónica, pelo Remix Ensemble e pelo ensemble de violoncelos da ESMAE.
Esta é a primeira temporada com assinatura de François Bou. Apoiado no conceito-âncora “Raízes e Ressonâncias”, o novo diretor artístico manifestou, na conferência de imprensa de apresentação, a vontade de propor uma nova forma de pensar a Casa da Música como um todo, e de trazer para a programação uma visão “agregadora e inclusiva”.
As “Raízes” representam a ligação à memória e ao popular, enquanto as “Ressonâncias” se referem à tradução desse passado na música, artes e cultura contemporâneas.
A programação conta com vários ciclos, que promovem momentos de escuta e reflexão de certos compositores, e com festivais, que mobilizam os agrupamentos residentes, o serviço educativo e os parceiros externos, agregando-os em torno de um tema artístico comum.
Para além de ciclos e festivais, em 2026 a Casa da Música conta ainda com concertos de nomes como Wim Mertens, The Divine Comedy, Patrick Watson, Mafalda Veiga, Expresso Transatlântico, Vitorino e GoGo Penguin.
Bianca Dacosta e Hèctor Parra são as residências artísticas da nova temporada da Casa da Música Foto1: Maria Saraiva Brandão; Foto 2: Wikimedia Commons
Em residência artística vão estar Bianca Dacosta, artista visual multidisciplinar brasileira que apresentará uma criação cénica inspirada na obra “Floresta do Amazonas”, de Villa-Lobos, e o compositor Hèctor Parra, este em residência durante o biénio 2026-27. O catalão vai apresentar várias obras do seu repertório e novas criações encomendadas pela Casa da Música.
A nova temporada arranca em janeiro, com o “Festival Ressonâncias”, um festival de duas semanas que integra todos os agrupamentos e apresenta novos formatos de aproximação ao público, como é o caso do “Café com Nata” com 11 concertos de música de câmara aos domingos de manhã, e em que o bilhete inclui um café e um pastel de nata. Neste festival de abertura, destaque para Conan Osiris, que regressa depois de seis anos afastado dos palcos.
Ao todo, estão previstos mais de 140 espetáculos na Casa da Música em 2026. A programação já está disponível para consulta no website oficial.