Livraria Lello celebra o amor com poesia e conversas sobre liberdade e censura

Programação do Dia dos Namorados quer “explorar a censura e a liberdade no amor”. A sessão conta com a participação do poeta João Habitualmente e dos dizedores de poesia IN(COMUM). O evento acontece esta quinta-feira (12), na Livraria Lello, às 21h00.

Livraria Lello Porto dinamiza sessão especial de São Valentim, na noite de 12 de fevereiro. Foto: Livraria Lello Porto

Na noite de 12 de fevereiro, às 21h00, a Livraria Lello Porto vai apresentar uma sessão especial: “Amor, Liberdade e Censura: Livros que Não se Calaram”. Com este programa, a livraria portuense propõe que os visitantes “reflitam sobre o amor e a liberdade, e questionem o papel da literatura na resistência às pressões da censura”, lê-se no comunicado enviado às redações.

De acordo com a informação divulgada, a conversa vai ser iniciada pelo poeta, psicólogo e académico João Habitualmente (Luís Fernandes), “combinando análise literária e perspetiva científica”. Quanto à sua participação – que assina os seus poemas sob o heterónimo João Habitualmente -, Maria Bochicchio, programadora cultural da livraria, destacou ao JPN que esta é uma oportunidade de “pôr frente a frente duas maneiras de responder à mesma pergunta, a do psicólogo e a do poeta”.

A sessão será ainda marcada por três momentos de declamação de poesia, com a participação dos dizedores de poesia IN(COMUM), avançou a programadora cultural. Numa primeira parte, a declamação de poemas de Mário Cesariny e Florbela Espanca serve de mote à reflexão sobre o conceito de amor e das suas várias expressões. Depois, com palavras de Natália Correia e Maria Teresa Horta, a conversa debruçar-se-á sobre a censura no amor e na repressão do corpo, imposta pelo Estado Novo. Para fechar, um olhar sobre o papel da poesia no amor do século XX, com poemas de Vasco Graça Moura e David Mourão Ferreira.

“Normalmente, nestes dias, fala-se de amor romântico, mas na Livraria Lello Porto queremos explorar a censura e a liberdade no amor”, referiu a responsável.

Em declarações ao JPN, Maria Bochicchio conta que o tema da sessão surgiu “quase naturalmente”. Através da poesia, o momento procura responder à pergunta “o que é o amor e o que acontece a uma sociedade quando tenta controlar a linguagem do amor?”, explicou.

Segundo Maria Bochicchio, os dizedores de poesia IN(COMUM) – grupo composto por Idalinda Fitas, Manuela Gomes e Jorge Pereira – dedicam-se à leitura e declamação de poesia e foram escolhidos para participar na sessão porque [Maria Bochicchio] “não queria que fosse apenas uma conversa sobre poesia”, mas sim que “a poesia entrasse na sala como presença ativa”. A programadora defende que “ter os poemas ditos” faz toda a diferença: “a literatura deixa de ser referência e torna-se acontecimento”.

O evento “Amor, Liberdade e Censura” é de entrada livre e está sujeito a inscrição através do site da livraria.

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