Ex-presidente Gaia vai a julgamento por pagamento de bilhetes para a Liga dos Campeões com dinheiro da autarquia
Ministério Público acusa o ex-autarca de ter usado o dinheiro do munícipio para “fins particulares e lúdicos”. Julgamento de Eduardo Vítor Rodrigues começa a 23 de março.
Ex-presidente da Câmara de Gaia é acusado pelo MP de prevaricação e peculato. Foto: CM Gaia
Eduardo Vítor Rodrigues, ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, vai ao tribunal a 23 de março, para a primeira audiência do julgamento em que está acusado de dois crimes de prevaricação e outros dois de peculato. De acordo com a agência Lusa, o ex-autarca é acusado de ter usado dinheiro público para financiar viagens e bilhetes para jogos de futebol.
O Ministério Público (MP) acusa Eduardo Vítor Rodrigues de ter usado dois contratos públicos, suportados pela autarquia, para pagar viagens a “pessoas por si selecionadas”, nomeadamente para “assistirem a jogos na Liga dos Campeões”.
Quando a acusação foi conhecida, em fevereiro de 2024, a Câmara de Gaia declarou à Lusa que a compra das viagens para dois jogos do FC Porto foi feita de forma “regular e legal”. Isto porque, acrescentou a autarquia, as compras decorreram de “convites institucionais a dois presidentes de junta, dois presidentes de associações de Bombeiros e duas instituições sociais, todos com ligação direta ou indireta à Fundação PortoGaia”.
O caso, que se terá traduzido num prejuízo de 15.800 euros para o município, tem outros dois arguidos, acusados de peculato e falsificação de documentos: Patrocínio Azevedo – ex-vice-presidente da Câmara, também envolvido no processo Operação Babel – e a ex-secretária da presidência (a exercer funções à data dos acontecimentos).
A primeira audiência está agendada para as 09h45, no Tribunal de Vila Nova de Gaia, avançou a agência Lusa. Nessa sessão, serão ouvidos os três arguidos, caso queiram prestar declarações.
Eduardo Vítor Rodrigues foi presidente da Câmara de Gaia, eleito pelo PS, entre 2013 e 2025. Abandonou o cargo por ter sido condenado a perda de mandato, por uso indevido de um veículo elétrico do município.
Originalmente publicado a 06/03/2026 no JPN (JornalismoPortoNet).