Costa Cabral vai passar a ter sentido único do Marquês aos Combatentes
Intervenção para reforçar a segurança rodoviária deve estar no terreno até ao verão. O projeto de urbanismo tático foi recebido com algumas preocupações por parte de moradores, comerciantes e encarregados de educação presentes na sessão pública que decorreu na quarta-feira (18).
Imagem virtual da Rua de Costa Cabral para ilustrar o plano que ali se prevê implementar até ao próximo verão. Imagem virtual: CMP/D.R.
A Rua de Costa Cabral vai passar a ter sentido único do Marquês aos Combatentes. A alteração surge no contexto de um plano desenvolvido pela Câmara do Porto, com o objetivo de solucionar os problemas logísticos desta zona da cidade e reforçar a segurança rodoviária.
A intervenção – que se prevê estar pronta até ao verão – inclui o estreitamento da via através da colocação de floreiras, bancos e barreiras de betão, o aumento da área pedonal, a criação de bolsas de estacionamento para cargas e descargas (equivalente a 13 lugares), a definição de uma baía kiss and drive destinada a saída de passageiros (com capacidade para três veículos) e a instalação de plataformas nas paragens de autocarro.
De acordo com a autarquia, estas alterações vão levar ao ganho de 1.010 metros quadrados de área de passeio e a perda de 1.570 metros quadrados de faixa de rodagem. Será ainda imposto o limite de velocidade de 30 quilómetros por hora.
Tratando-se de um plano de “urbanismo tático”, este projeto é de cariz temporário e sujeito a ajustes, esclareceu João Pestana, na sessão pública de apresentação que decorreu esta quarta-feira (18) no Auditório do Externato Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. O chefe da Divisão Municipal de Requalificação do Espaço Público garantiu que esta será “uma operação muito barata” e que, mesmo que haja alterações, todo o material usado pode ser reaproveitado.
A proposta foi recebida com receio por parte do público, composto essencialmente por moradores, comerciantes e encarregados de educação de crianças das escolas da rua que será intervencionada. Entre as principais preocupações está o ‘entupimento’ da via em consequência do estreitamento e a falta de opções de estacionamento nas proximidades.
Neste momento, há cinco linhas da STCP – quatro diurnas e uma noturna – que percorrem Costa Cabral no sentido Combatentes-Marquês. Com a eliminação desta faixa, os autocarros vão passar a circular pela Rua da Alegria, onde se vão suprimir os lugares de estacionamento.
Com as alterações, os autocarros STCP vão deixar de circular no sentido Combatentes-Marquês, na Rua de Costa Cabral. A Rua da Alegria foi a alternativa encontrada. Imagem: CMP
Daniela Almeida trabalha no Talho Europa, junto ao metro dos Combatentes, e confessa estar “muito apreensiva” quanto a esta proposta. A comerciante considera que a retirada dos lugares de estacionamento na Rua da Alegria vai “dinamitar” o comércio local: “se [os clientes] não estacionam em lado nenhum, ninguém vai lá comprar”, avisa.
Perante as preocupações dos lojistas relativas ao impacto nos negócios, o diretor do Departamento Municipal de Atividades Económicas, Filipe Januário, aceitou a sugestão de se criar um canal aberto para os comerciantes poderem submeter as suas queixas e sugestões quando a intervenção for implementada.
Uma encarregada de educação e antiga moradora desta vizinhança comentou que o plano apresentado não se trata de uma solução, mas sim de “uma coisa bonita” que não servirá os moradores nem os pais das crianças das escolas.
Do lado das instituições de ensino, também Sílvia Bereny, diretora da creche e jardim de infância OSMOPE, fez notar as suas preocupações: “a proposta está excelente, e acho que vai melhorar a relação com o espaço público, mas é preciso pensar a questão do estacionamento”, sublinhou.
Em resposta às várias intervenções do público, a vice-presidente da autarquia, Catarina Araújo, sublinhou o caráter experimental do projeto e o facto de a situação da Rua de Costa Cabral não ser “simples”, envolvendo “um conjunto de utilizações e de vivências que têm de ser compatibilizadas”.
Quanto aos receios relativos à falta de local para estacionar automóveis, a vereadora com o pelouro do Urbanismo e Espaço Público relembrou que, com a implementação deste plano, os utilizadores não vão “abdicar de nada”, uma vez que a rua já não tem lugares destinados a esse efeito: “só estão a abdicar de carros em segunda fila”, sublinha Catarina Araújo, reforçando os perigos que isso tem para a segurança rodoviária.
A fechar a sessão, a vice-presidente incentivou ao compromisso e disciplina por parte dos utilizadores: “muitas das questões de que aqui fomos falando são uma questão de civismo”, realçou.
Na sessão desta quarta-feira (18), o presidente da Junta de Freguesia de Paranhos afirmou que a solução de sentido único naquele troço já é falada desde 2003, mas foi há um ano que o assunto entrou na agenda da discussão camarária na sequência de várias iniciativas da comunidade local que tem exigido à Câmara mais condições de segurança para quem circula na rua e mais soluções de estacionamento.
Depois de uma primeira reação, em que o anterior presidente da autarquia, Rui Moreira, disse que que “não havia milagres” para “a rua mais longa do Porto”, a autarquia acabou por colocar lombas em alguns pontos para reduzir a velocidade automóvel. O então presidente foi insistindo que não havia “alternativa”, em matéria de estacionamento, por causa do transporte público, chegando o executivo a estudar a construção de uma via paralela nas costas dos estabelecimentos de ensino localizados já a chegar ao Marquês.
Agora, o Executivo liderado por Pedro Duarte avança com um plano experimental que, de acordo com a Agência Lusa, se prevê que dure pelo menos um ano.