Situação em Miragaia está "controlada", mas alerta vermelho mantém-se

Capitania do Porto do Douro diz que esta segunda-feira (9) a cota de água é “significativamente mais baixa” do que na semana passada, mas estima que voltará a aumentar. Câmara do Porto ativou o Plano Municipal de Emergência.

Autoridades mantêm aviso vermelho por risco de cheias na zona ribeirinha. Foto: João Pedro Rocha / CMP

Às 07h00 de segunda-feira (9), a cota de água em maré-cheia do rio Douro estava nos 4,20 metros, quase um metro abaixo da altura da cota a que o rio começa a transbordar em Miragaia.

Em declarações esta manhã ao JPN, o comandante adjunto da Capitania do Porto do Douro, Pedro Cervaens Costa, considera que “a situação está controlada”, e acredita que assim se manterá o resto do dia. “Não temos tido entradas de água significativas, nem em Miragaia nem na Ribeira, porque a cota do rio tem estado significativamente mais baixa do que na semana passada”, afirma o responsável da Capitania.

No entanto, o comandante acredita que o nível da água pode voltar a subir em breve, mantendo-se o alerta vermelho. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê mais chuva e possibilidade de trovoada para terça-feira (10). Com o aumento da pluviosidade, dá-se o aumento do volume da água no Douro e nos seus afluentes, havendo uma tendência para que a água escoe para o curso principal do rio. “Os solos estão muito saturados, portanto não têm capacidade de absorção da água”, explica Pedro Cervaens Costa ao JPN.

Após a declaração de situação de contingência para o país, por parte do governo, a autarquia do Porto procedeu à ativação do Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil (PMEPC), que define as principais orientações relativas ao modo de operação e coordenação de várias entidades municipais, em casos de alerta. O plano tem efeito entre a meia-noite de 8 de fevereiro e as 23h59 de domingo (15). Em função da evolução da situação, este período poderá ser ajustado.

O comandante Cervaens Costa esclarece que já estão a ser implementadas medidas de prevenção desde a semana passada, através dos Serviços de Proteção Civil e com a colaboração das populações. As medidas incluem condicionamento de estradas e acessos nas zonas mais vulneráveis e retirada de alguns bens e viaturas. O rio Douro mantém-se interdito a toda a navegação.

Nos últimos dias, a quota máxima atingida foi de 6,15 metros, de acordo com a régua junto ao Cais de Banhos.

Várias ocorrências registadas nas últimas semanas

Na madrugada de sexta-feira (6), a zona de Miragaia acabou por alagar. Em declarações durante uma visita ao local, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou que durante a noite não houve necessidade de retirar moradores das habitações, mas que de manhã duas pessoas tiveram de ser resgatadas pelos bombeiros, através de um bote. Após o período mais crítico, foram registadas algumas infiltrações e pequenas inundações em estabelecimentos comerciais, mas “sem expressão significativa”, declarou a autarquia.

Na sexta-feira (6), a zona de Miragaia alagou devido ao aumento do caudal do rio Douro. Foto: João Pedro Rocha / CMP

O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou que não foi detetada “outra circunstância complexa na cidade”, uma vez que “aqui trata-se de um problema associado ao caudal do rio”.

Nas últimas duas semanas, o país foi atingido pelas tempestades Kristin, Leonardo e Marta, que resultaram em 15 mortes e centenas de feridos e desalojados. A zona centro é a mais afetada.

Num balanço feito esta manhã (9), a E-Redes, operadora da rede de distribuição de eletricidade, estima que cerca de 56 mil clientes se encontram sem fornecimento de energia, em Portugal Continental.

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