Seguro na Invicta: “Não há Portugal sem o Porto e não há Porto sem um permanente amor à liberdade”

O novo Presidente da República terminou o segundo dia de tomada de posse na “bela e sempre eterna cidade do Porto”. No seu discurso, destacou a importância da coesão territorial no desenvolvimento do país.

Pedro Duarte recebeu o novo Presidente da República no Salão Nobre da Câmara Municipal. Foto: Fernando Macedo/JPN

António José Seguro foi recebido por Pedro Duarte numa sessão solene na Câmara Municipal do Porto, esta terça-feira (11), último dia do programa de tomada de posse. Durante a cerimónia, ambos os governantes destacaram a tolerância e a moderação mútuas, em discursos marcados pelo tema da coesão territorial. 

Num elogio à Invicta, “cidade de pedra firme e coração aberto”, o Presidente da República destaca o papel da cidade na trajetória do país: “há cidades que marcam a História de um país, o Porto ajudou a escrevê-la”. 

Na intervenção de boas-vindas, o presidente da Câmara do Porto citou a importância da visita presidencial à cidade, destacando o “simbolismo” do momento, que considera ser de “grande significado”. Pedro Duarte elogiou Seguro pelo seu “espírito de compromisso, sentido de equilíbrio e capacidade de mediação”, aproveitando para incentivar à união do país: “é a hora de unir. De ultrapassar a espiral da desconfiança, do ressentimento social e da indignação permanente”.

O autarca defendeu ainda o papel da cidade no desenvolvimento do país e a necessidade de reconhecer o contributo das diferentes regiões, criticando o centralismo existente em Portugal: “é o tempo certo para nos libertarmos de um centralismo degradante, paralisador e opressivo que há décadas bloqueia o desenvolvimento do país” e “de colocar no centro da ação pública o bem-estar de todos os portugueses, independentemente da cidade, vila ou aldeia onde habitam”, afirmou.

O dia começou em Arganil

Durante o dia de visitas oficiais, o Presidente também visitou uma aldeia em Arganil – muito afetada pelos incêndios de 2025 – e Guimarães, a Capital Verde Europeia de 2026. António José Seguro destacou a importância de ver Portugal como “um todo” em que “nenhum território pode ser dispensado”. Defendendo a aproximação do poder central e dos territórios, Seguro garantiu que “o interior estará sempre presente” no exercício das suas funções, e que não vê a coesão territorial como “uma palavra de circunstância”.

No seu discurso, o novo Presidente da República recordou marcos históricos da Invicta, e citou palavras dos escritores portuenses Agustina Bessa-Luís e Almeida Garrett. No campo jornalístico, destacou o Público, diário da empresa portuense Sonae, – que considera “uma das mais influentes vozes do jornalismo português” – e o Jornal de Notícias, que “permanece como património histórico” da cidade.

A cerimónia foi estritamente protocolar e não houve declarações aos jornalistas. O encontro contou com a presença do executivo municipal, figuras da política e da sociedade portuense, representantes de instituições – nomeadamente o Bispo do Porto e o Reitor da Universidade – e empresários da cidade.

No final da sessão, o Presidente da República assinou o livro de honra da Invicta, tendo de seguida se dirigido à Casa do Roseiral – residência oficial do presidente da Câmara – para um jantar. Terminou a noite a assistir a um concerto de Pedro Abrunhosa com a Orquestra Juvenil de Bonjóia, na Casa da Música.

António José Seguro é o segundo Presidente da República, após Marcelo Rebelo de Sousa, a incluir a cidade do Porto na sua rota de posse – apesar de, no caso de Seguro, não haver uma multidão de populares à espera do Presidente, como aconteceu com o seu antecessor em 2016 e 2021. Esta tradição destaca aquilo que o chefe de Estado já havia dito no seu discurso: “Não há Portugal sem o Porto e não há Porto sem um permanente amor à liberdade”.

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