Sala de consumo assistido do Porto vai passar da Pasteleira para o Aleixo

A estrutura de apoio a utilizadores de drogas vai ser relocalizada para a zona das antigas torres do Aleixo. Pedro Duarte considera que o local onde a sala se encontra “não é adequado” e que a mudança para um local com menor “grau de exposição” será positiva para os utentes e para a cidade.

A única sala de consumo assistido do Porto fica localizada junto ao bairro da Pasteleira. Foto: Maria Saraiva Brandão/JPN

A sala de consumo assistido atualmente localizada junto ao bairro da Pasteleira vai ser transferida para a zona do antigo bairro do Aleixo. A mudança para um local a nordeste do cruzamento da Rua Carvalho Barbosa com a Rua Arnaldo Leite deverá estar concretizada no segundo semestre de 2026, avançou o presidente da Câmara do Porto esta sexta-feira (10), durante uma visita ao equipamento.

Desde o início do mandato que o presidente tem vindo a demonstrar a vontade de tirar a sala de consumo da localização atual. O social-democrata considera que este local “não é adequado, por várias razões”, nomeadamente pela sua proximidade a duas escolas e ao muro de Serralves. “[A sala está] exposta de uma forma que não é digna para quem é utente, mas também para a própria cidade, que tem de conviver com uma circunstância que não é desejável”, sublinha Pedro Duarte.

O presidente acredita que a nova infraestrutura será “bastante mais eficaz” do que a que visitou na manhã desta sexta-feira (10). Nos últimos anos, tanto os utilizadores como os técnicos que os assistem têm vindo a pedir mais apoio e que o espaço seja aumentado.

Tal como a sala atual, o novo espaço será instalado numa estrutura fixa amovível, mas de maior dimensão. “Esta [sala] tem cerca de 90 metros quadrados, a nova terá mais de 200 metros quadrados e, portanto, mais do que duplicará o seu espaço”, declarou Pedro Duarte aos jornalistas. A nova instalação representará um custo de cerca de 600 mil euros para o município.

Quanto à possibilidade de aumento de casos de consumo de drogas a céu aberto na zona da Pasteleira depois da mudança, o presidente da Câmara diz não ter “nenhuma razão” para achar que isso possa acontecer. “Pelo contrário”, acrescenta, prometendo que serão “muito rigorosos” no que toca a “limpar as ruas” deste tipo de fenómenos.

Pedro Duarte durante a visita à sala de consumo assistido, esta sexta-feira (10). Foto: Maria Saraiva Brandão/JPN

Pedro Duarte sublinha a necessidade de uma política “mais repressiva” e “mais eficaz” no combate ao problema das drogas no Porto, tanto no que diz respeito ao consumo como ao tráfico, garantindo que a Câmara está “a dar todos os passos necessários e criar todas as condições”. Deixa ainda um apelo a que outras autarquias sigam o exemplo, porque “é muito importante que o Porto não seja o pólo de atração” e que se evite a criação de um “excesso de procura”.

A sala de consumo assistido da Pasteleira – a única da cidade do Porto – consegue retirar da rua cerca de 280 consumos diários. O executivo municipal está a estudar a possibilidade de abertura de um segundo equipamento, na zona oriental da Invicta, e já tem “financiamento orçamentado para esse efeito”. Sem horizonte temporal à vista para a concretização desta medida, a autarquia aguarda por agora a “avaliação técnica” do Ministério da Saúde e do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).


Originalmente publicado a 10/04/2026 no JPN.

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