Líder do Chega no Porto nega ter comprado votos a membros do 1143

Rui Afonso, deputado do Chega e líder distrital do partido, é acusado de ter pago a membros do grupo 1143 para votarem em si em eleições internas, avançou o jornal “Público”. Dirigente negou ao JPN as acusações, considerando-as “um autêntico disparate”.

Rui Afonso está sob suspeita de ter comprado votos a membros do grupo neonazi 1143. Foto: Ana Torres/JPN

Rui Afonso, líder distrital do Chega no Porto e deputado na Assembleia da República, está sob a suspeita de ter inscrito membros do grupo 1143 no partido e comprado votos para as eleições internas de 2023, avança o “Público” este domingo (22).

Em declarações ao diário, Tirso Faria, coordenador do núcleo do grupo neonazi em Santo Tirso, garantiu que o deputado “inscreveu dezenas de membros [do 1143] no partido, pagou-lhes meses de quotas e quantias para irem votar” nas eleições internas, referindo que “os valores envolvidos andarão entre os 3500 e os 3800 euros”. 

Rui Afonso nega as acusações que considera serem “um autêntico disparate”. Em declarações ao JPN, o deputado garante ter a confiança política de André Ventura – o Partido Socialista anunciou que vai pedir explicações ao líder do Chega sobre esta questão – e explica que solicitou ao presidente do partido que fosse aberto um processo interno “para se verificar se houve ou não a entrada massiva de militantes” no Chega na altura das eleições internas de 2023.

Rui Afonso considera que a notícia desta acusação é “fruto de mau jornalismo”, acusando Miguel Carvalho, autor da investigação do “Público” e do livro “Por Dentro do Chega” – também ele uma longa investigação sobre o partido liderado por André Ventura -, de praticar “um ativismo político travestido de jornalismo”. Para o deputado, as declarações das fontes consultadas não foram devidamente verificadas e o intuito da acusação é “simplesmente achincalhar”.

Artur Carvalho, ex-adjunto de Rui Afonso na distrital do Porto, que se desfiliou do partido a 28 de novembro, revelou ao “Público” que o deputado tinha sido confrontado com a acusação durante uma reunião do partido, mas que “riu-se e passou adiante”.

Em declarações ao “Público”, Israel Pontes, concorrente de Rui Afonso nas distritais de 2023 e ex-militante do Chega, recorda que nessas eleições internas “apareceu gente para votar que nunca tinha visto”, detalhando que falou com alguns elementos que “só sabiam qual era a lista em que tinham de votar, nem sabiam quem era o candidato”. O atual militante do partido Nova Direita refere ter conhecimento de que Rui Afonso detinha uma “relação muito vantajosa com o grupo 1143”.

Ao JPN, Rui Afonso desmente qualquer ligação ao grupo: “Não tenho ligações nenhumas a movimentos. Nem ao 1143, nem a outro tipo de movimento qualquer”, reforça.

O deputado já tinha sido acusado de ligações ao grupo, após terem sido revelados vídeos que o mostram junto a membros do movimento liderado por Mário Machado, num dos autocarros alugados pela distrital do Porto para ir à manifestação nacional do Chega de setembro de 2024, em Lisboa. Perante a divulgação destes vídeos, Rui Afonso desmentiu possíveis relações.

A 20 de janeiro de 2026, o grupo neonazi 1143 foi visado pela Operação Irmandade, uma investigação da Polícia Judiciária em que foram detidas 37 pessoas e constituídas arguidas outras 15, por suspeita da prática dos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensa à integridade física qualificada e detenção de arma proibida. O líder do grupo, Mário Machado, encontra-se a cumprir pena de prisão efetiva – inicialmente de dois anos e dez meses de prisão, mas aumentada para quatro anos – no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, para o qual foi transferido após buscas da Operação Irmandade.

Originalmente publicado a 23/02/2026 no JPN (JornalismoPortoNet).

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